segunda-feira, 18 de março de 2013

SÃO BERNARDO - CLASSICO

SÃO BERNARDO
de Graciliano Ramos

Este é, sem dúvida, um dos romances mais densos da literatura brasileira. Uma das obras-primas de Graciliano , é narrado em primeira pessoa por Paulo Honório , que se propõem a contar sua dura vida em retrospectiva, de guia de cego a proprietário da Fazenda São Bernardo. Ele sente uma estranha necessidade de escrever, numa tentativa de compreender, pelas palavras, não só os fatos de sua vida como também a esposa, suas atitudes e seu modo de ver o mundo. A linguagem é seca e reduzida ao essencial. Paulo Honório narra a difícil infância, da qual pouco se lembra excetuando o cego de que foi guia e a preta velha que o acolheu. Chegou a ser preso por esfaquear João Fagundes por causa de uma antiga amante.
Possuidor de fino tato para negócios, viveu de pequenos biscates pelo sertão até se aproveitar das fraquezas de Luís Padilha - jogador compulsivo. Comprou-lhe a fazenda São Bernardo onde trabalhara anos antes. Astucioso, desonesto, não hesitando em amedrontar ou corromper para conseguir o que deseja, vê tudo e todos como objetos, cujo único valor é o lucro que deles possa obter. Trava um embate com o vizinho Mendonça, antigo inimigo dos Padilhas , por demarcação de terra. Mendonça estava avançando suas terras em cima de São Bernardo. Logo depois, Mendonça é morto enquanto Honório está na cidade conversando com Padre Silveira sobre a construção de uma capela na sua fazenda. São Bernardo vive um período de progresso. Diversificam-se as criações, invade terras vizinhas, constrói açude e a capela.
Ergue uma escola em vista de obter favores do Governador. Chama Padilha para ser professor. Estando a fazendo prosperando, Paulo Honório procura uma esposa a fim de garantir um herdeiro. Procura uma mulher da mesma forma que trata as outras pessoas: como objetos. Idealiza uma mulher morena, perto dos trinta anos, e a mais perto da sua vontade é Marcela, filha do juiz. Não obstante conhece uma moça loura, da qual já haviam falado dela. Decide por escolher essa. A moça é Madalena, professora da escola normal. Paulo Honório mostra as vantagens do negócio, o casamento, e ela aceita. Não muito tempo depois de casado, começam os desentendimentos. Paulo Honório, no início, acredita que ela com o tempo se acostumaria a sua vida. Madalena, mulher humanitária e de opinião própria, não concorda com o modo como o marido trata os empregados, explorando-os.
Ela torna-se a única pessoa que Paulo Honório não consegue transformar em objeto. Dotada de leve ideal socialista, Madalena representa um entrave na dominação de Honório. O fazendeiro, sentindo que a mulher foge de suas mãos, passa a ter ciúmes mórbidos dela, encerrando-a num círculo de repressões, ofensas e humilhações. O casal tem um filho mas a situação não se altera. Paulo Honório não sente nada pela sua criança, e irrita-se com seus choros. A vida angustiada e o ciúme exagerado de Paulo Honório acabam desesperando Madalena, levando-a ao suicídio. É acometido por imenso vazio depois da morte da esposa.
Sua imagem o persegue. As lembranças persistem em seus pensamentos. Então, pouco a pouco, os empregados abandonam São Bernardo. Os amigos já não freqüentam mais a casa. Uma queda nos negócios leva a fazenda a ruína. Sozinho, Paulo Honório vê tudo destruído e, na solidão, procura escrever a história da sua vida. Considera-se aleijado, por ter destruído a vida de todos ao seu redor. Reflete a influência do meio quando afirma: "A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste."

quarta-feira, 6 de março de 2013

VIDAS SECAS - CLÁSSICO

VIDAS SECAS
de Graciliano Ramos

sinopse


"Vidas Secas", romance publicado em 1938, retrata a vida miserável de uma família de retirantes sertanejos obrigada a se deslocar de tempos em tempos para áreas menos castigadas pela seca. A obra pertence à segunda fase modernista, conhecida como regionalista, e é qualificada como uma das mais bem-sucedidas criações da época.

O estilo seco de Graciliano Ramos, que se expressa principalmente por meio do uso econômico dos adjetivos, parece transmitir a aridez do ambiente e seus efeitos sobre as pessoas que ali estão.
Lista de Personagens
Baleia: cadela que é tratada como membro da família. Pensa, sonha e age como se fosse gente.
Sinhá Vitória: mulher de Fabiano. Mãe de 2 filhos, é batalhadora e inconformada com a miséria em que vivem. É esperta e sabe fazer conta, sempre prevenindo o marido sobre trapaceiros.
Fabiano: vaqueiro rude e sem instrução, não tem a capacidade de se comunicar bem e lamenta viver como um bicho, sem ter frequentado a escola. Ora reconhece-se como um homem e sente orgulho de viver perante às adversidades do nordeste, ora se reconhece como um animal. Sempre a procura de emprego, bebe muito e perde dinheiro no jogo.
Filhos: o mais novo admira a figura do pai vaqueiro, integrado à terra em que vivem. Já o mais velho não tem interesse nessa vida sofrida do sertão e quer descobrir o sentido das palavras, recorrendo mais à mãe. 
Patrão: fazendeiro desonesto que explorava seus empregados, contrata Fabiano para trabalhar.

Sobre Graciliano Ramos
Graciliano Ramos de Oliveira nasceu em Quebrangulo, Alagoas, em 27 de outubro de 1892. Terminando o segundo-grau em Maceió, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como jornalista durante alguns anos. Em 1915 volta para o Alagoas e casa-se com Maria Augusta de Barros, que falece em 1920 e o deixa com quatro filhos.

Trabalhando como prefeito de uma pequena cidade interiorana, foi convencido por Augusto Schmidt a publicar seu primeiro livro, "Caetés" (1933), com o qual ganhou o prêmio Brasil de Literatura. Entre 1930 e 1936 morou em Maceió e seguiu publicando diversos livros enquanto trabalhava como editor, professor e diretor da Instrução Pública do Estado. Foi preso político do governo Getúlio Vagas enquanto se preparava para lançar "Angústia", que conseguiu publicar com a ajuda de seu amigo José Lins do Rego em 1936. Em 1945 filia-se ao Partido Comunista do Brasil e realiza durante os anos seguintes uma viagem à URSS e países europeus junto de sua segunda esposa, o que lhe rende seu livro "Viagem" (1954).

Artista do segundo movimento modernista, Graciliano Ramos denunciou fortemente as mazelas do povo brasileiro, principalmente a situação de miséria do sertão nordestino. Adoece gravemente em 1952 e vem a falecer de câncer do pulmão em 20 de março de 1953 aos 60 anos.

Suas principais obras são: "Caetés" (1933), "São Bernardo" (1934), "Angústia" (1936), "Vidas Secas" (1938), "Infância" (1945), "Insônia" (1947), "Memórias do Cárcere" (1953) e "Viagem" (1954).

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

ESCOLINHA DE HORROR - INFANTO-JUVENIL







ESCOLINHA DE HORROR
de Jackie Niebisch

Os pequenos vampiros, como as crianças, também vão à escola. Pois é preciso treino constante e aulas regulares para se tornar um bom sanguessuga.

Risonho

Apesar do meu nome, não sou exatamente simpático. Muito pelo contrário, quando crescer quero ser o mais sanguinolento dos vampiros.

OLI

Adoro o sol, mas não posso ouvir falar de geleia de morango, framboesa, sangue...essas coisas vervelhas. Será que algum dia vou conseguir virar um monstro?

PROFESSOR POLIDORI

Vivo alertando a todos sobre a grande ameaça que os vampiros representam. Mas nenguém acredita em mim!

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO - FICÇÃO



ADMIRÁVEL MUNDO NOVO
de Aldous Huxley



Ano 634 df (depois de Ford). O Estado científico totalitário zela por todos. Nascidos de proveta, os seres humanos (precondicionados) têm comportamentos (preestabelecidos) e ocupam lugares (predeterminados) na sociedade: os alfa no topo da pirâmide, os ípsilons na base. A droga soma é universalmente distribuída em doses convenientes para os usuários. Família, monogamia, privacidade e pensamento criativo constituem crime. 
Os conceitos de "pai" e "mãe" são meramente históricos. Relacionamentos emocionais intensos ou prolongados são proibidos e considerados anormais. A promiscuidade é moralmente obrigatória e a higiene, um valor supremo. Não existe paixão nem religião. Mas Bernard Marx tem uma infelicidade doentia: acalentando um desejo não natural por solidão, não vendo mais graça nos prazeres infinitos da promiscuidade compulsória, Bernard quer se libertar. Uma visita a um dos poucos remanescentes da Reserva Selvagem, onde a vida antiga, imperfeita, subsiste, pode ser um caminho para curá-lo. Extraordinariamente profético, "Admirável Mundo Novo" é um dos livros mais influentes do século 20.
 Resenha:
Extraordinariamente profético, como diz a sinopse. Não posso discordar, estamos muito perto da realidade do livro. 

Aldous Huxley criou uma distopia que abrange temas de relacionamentos familiares. Huxley escreveu o livro em uma época que os divórcios estavam começando a ficar mais frequentes e como ele mesmo diz no prefácio, já estavam alcançando o número de casamentos em algumas cidades americanas. Provavelmente revoltado com a condição da sociedade, Huxley criou a sua própria versão do que nos tornaríamos no futuro.

No futuro de Huxley não existem mais famílias. Os bebês são gerados de forma artificial e educados (condicionados) de forma à atender às expectativas da sociedade. Cada ser humano é gerado para uma finalidade já pré-determinada e educado para se adaptar à ela. 'Pai' e 'Mãe' já não existem e o conceito de maternidade chega a ser obsceno nesse mundo.

Fidelidade não é considerada uma prática sadia, com a consciência que todos podem ser de todos, é anormal ou até crime manter um relacionamento estável com alguém.

Preciso apontar as semelhanças com a nossa realidade atual? Experiências cientificas a cerca do nascimento humano não faltam. E se isso realmente fosse possível, porque as mulheres precisariam passar por todo o processo da gravidez quando já não fosse necessário? É óbvio que isso se tornaria uma anormalidade vergonhosa. Nesse ponto as famílias seriam desfeitas, porque então a fidelidade?

Por meio dos personagens, Bernard Marx e Sr. Selvagem, somos levados à uma reflexão a cerca de todas essas coisas e muitas mais que podem nos aguardar em um futuro não muito distante. O Admirável Mundo Novo pode estar bem ali, à nossa espreita se não formos cuidadosos com os rumos que a nossa sociedade pode tomar! 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O SANTINHO - CONTOS

O SANTINO
de Luis Fernando Veríssimo




                 Ele faz parte da nossa família de escritores preferidos - e logo fará parte da sua . Porque o genial Luis Fernando Veríssimo não escreve apenas para adultos. Neste livro, o gaúcho se revela um mestre também para jovens e crianças.
                 Os contos reunidos aqui falam da infância e do ambiente escolar, traçando um panorama carinhoso da escola brasileira. Com muito talento e bom humor, Veríssimo ao mesmo tempo faz rir e emociona, ao contar histórias de  alunos e professores, pais e filhos, santinhos... e pestinhas também.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A INFÂNCIA ACABOU - Infanto-juvenil

A INFÂNCIA ACABOU
de Renato Tapajós


sinopse


Tudo ia bem para Marcos até que seu pai perdeu o emprego, o dinheiro começou a faltar e sua família acabou se desintegrando. Acostumado a ter tudo nas mãos, o que ele poderia fazer numa situação daquelas?
Em meio a conflitos, descobertas, computadores, rock, rap e o primeiro amor, Marcos vai perceber que a infância está ficando para trás e que já é hora de construir seu próprio destino.

CHAPADÃO DO BUGRE - Obra-prima do regionalismo mineiro


CHAPADÃO DO BUGRE
de Mário Palmério

sinopse


Narrado em terceira pessoa, Chapadão do Bugre foi inspirado em uma terrível chacina acontecida numa pequena cidade do interior de Minas Gerias nos primeiros anos do século passado, culminando no assassinato do coronel Neca Medeiros.Para o crítico João H. Weber, Chapadão do Bugre representa o fim do império dos jagunços e coronéis: “Uma força estranha e impiedosa, representada pelo capitão Eucaristo Rosa, se abate sobre o sertão, destruindo tanto os coronéis e suas práticas políticas clientelísticas como o jagunço José de Arimatéia, sem que ninguém (...) possa chegar a entender as normas do novo mundo que se estabelecia no sertão. Apenas Camurça, a mula de José de Arimatéia, percebe, à hora da morte, a realidade. E o faz do ponto de vista dos marginais e oprimidos do sertão. Mas é tarde e a destruição é inexorável”.
Fonte: Editora Record